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Teste do pezinho: tudo o que precisas de saber

Teste do pezinho no bebé: o que é e para que serve

Manuel Fernández

Um dos exames que vão ser feitos ao teu bebé no hospital antes da alta é o teste do pezinho. E para que saibas em detalhe em que consiste, na Happymami trazemos-te este artigo onde vais encontrar tudo o que precisas de saber sobre o teste do pezinho.

Descobre o teste do pezinho

Em que consiste o teste do pezinho?

O teste do pezinho consiste na recolha e análise de algumas gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido para detetar a presença de algumas doenças congénitas. O seu objetivo é detetar desde o primeiro momento doenças graves, que na maioria são raras e de origem genética. Assim, é possível iniciar precocemente um tratamento adequado para evitar sequelas e garantir uma melhor qualidade de vida do bebé. Estas doenças são perturbações genéticas e/ou endócrinas muito pouco frequentes, mas que podem surgir desde o nascimento do bebé, mesmo que ainda não tenha apresentado sintomas.

O que são as doenças congénitas?

As doenças congénitas são doenças presentes desde o nascimento. Por isso, a sua deteção e o tratamento precoce de algumas delas melhora a sua evolução. Da mesma forma, as doenças incluídas no programa de deteção precoce através do teste do pezinho dispõem de um tratamento que, administrado precocemente, pode evitar ou reduzir os sintomas e as lesões que ocorreriam sem a atuação adequada.

Que doenças congénitas deteta o programa de rastreio neonatal?

Neste ponto depende da comunidade autónoma. Por exemplo, em Valência detetam-se: o hipotiroidismo congénito, a fenilcetonúria, a anemia falciforme, a fibrose quística, a deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia média, a deficiência de 3-hidroxiacil-CoA desidrogenase de cadeia longa, a acidemia glutárica tipo I e a deficiência de biotinidase; esta última é a incorporação mais recente no rastreio da comunidade valenciana.

Teste do pezinho

Quando e como se realiza o teste do pezinho?

Recolhe-se uma amostra de sangue do calcanhar na maternidade antes da alta, às 48 horas após o nascimento do bebé, ou sempre que nesse momento tenham passado entre 24 e 72 horas desde o nascimento. A sua realização consiste numa picada superficial na parte mais lateral do calcanhar do recém-nascido. Recolhem-se algumas gotas de sangue, que são impregnadas num papel absorvente homologado pelos dois lados. Este papel impregnado com o sangue do bebé é enviado para o laboratório para ser analisado.

Além disso, juntamente com a recolha de sangue, são recolhidos os dados familiares, tanto da mãe como do recém-nascido, e com eles são feitos alguns cálculos para saber se a doença é detetada ou não. Os dados tidos em conta são o tipo de alimentação do recém-nascido, se amamentas o teu bebé ou dás leite adaptado. Também influenciam a idade gestacional do bebé no momento do nascimento, o peso do bebé, ou se a mãe recebeu alguma transfusão de sangue ou tem hipotiroidismo.

Como se realiza o teste do pezinho?

O pessoal de enfermagem está treinado para realizar este teste. Previamente, prepara o material necessário (lanceta de punção específica, compressas estéreis, antisséptico, sacarose e papel absorvente). As lancetas específicas para a punção estão concebidas para criar a incisão exata, gerando o menor impacto possível no bebé, com um corte limpo que provoca a mínima sensação de dor. Existe também a opção de realizar o teste durante a amamentação, para que o bebé beneficie da analgesia da sucção.

Para o realizar, coloca-se o bebé com a perna abaixo da altura do coração, para aumentar o fluxo venoso. Faz-se uma massagem e verifica-se que o bebé está a uma temperatura confortável. Para realizar a punção, faz-se uma massagem suave, procede-se à lavagem higiénica das mãos antes de colocar as luvas e, depois, pica-se o calcanhar do bebé. É preciso encher o papel com sangue de forma a que não entre em contacto com os círculos do papel de filtro, pois isso poderia alterar os resultados analíticos.

O teste do pezinho dói ao bebé?

Apesar de as lancetas para realizar o teste do pezinho serem especialmente concebidas para prevenir a dor, existem diferentes alternativas que ajudam a que o teste seja melhor tolerado pelos bebés. Há evidência que sugere que a presença da mãe (que segura o filho pele a pele ou o amamenta durante o processo) faz com que o pequeno mostre menos desconforto. Se, por algum motivo, a mãe não puder estar presente no momento do teste, também a sucção da chupeta reduz a dor.

Quanto tempo dura o teste e como vou conhecer os resultados?

A realização do teste dura alguns minutos e, aproximadamente, ao fim de três semanas recebem-se os resultados. Um resultado normal, que é a maioria dos casos, uma vez que as doenças pesquisadas são raramente sofridas pelos bebés, é comunicado por correio aos pais ou tutores num prazo aproximado de um mês desde a recolha da amostra. Se o resultado for duvidoso ou houver suspeita de alguma destas doenças, ou a amostra for insuficiente para realizar todos os testes, o laboratório entrará em contacto contigo por telefone, indicando-te onde deves ir e que testes realizar.

Teste do pezinho: tudo o que precisas de saber

Se o resultado destes testes for normal, pode o teu bebé ter a doença?

Um resultado normal no teste do pezinho indica que a probabilidade de ter estas doenças é extremamente baixa. No entanto, não as exclui por completo.

Se o meu bebé tiver uma destas doenças, onde será diagnosticado e tratado?

Por exemplo, na Comunidade Valenciana há vários serviços e unidades de referência nos hospitais, que contam com os meios necessários para oferecer um diagnóstico e um tratamento corretos. O mesmo acontece nas restantes comunidades autónomas.

Por fim, é obrigatória a sua realização?

A realização deste teste é muito recomendável, mas não é obrigatória. Como mãe ou pai, depois de te informares, deves assinar na ficha anexa à recolha de amostras a autorização ou a recusa de que o teste seja realizado.

Situações especiais a ter em conta

Existem circunstâncias que contraindicam a realização do teste, como por exemplo em bebés que têm os dois calcanhares edematosos, lesionados ou infetados. Nestes casos, ou em qualquer caso em que o teste do pezinho esteja contraindiciado ou não seja possível realizá-lo por qualquer motivo, recomenda-se a recolha de sangue venoso do bebé.

Também nos recém-nascidos prematuros e/ou bebés internados nos cuidados intensivos se pode ter em conta o dano/benefício de realizar a incisão no calcanhar, ou então recolher a amostra de sangue arterial/venoso se tiverem um cateter umbilical. Ou também se pode aproveitar uma punção venosa ao realizar outra análise. E se o bebé precisar de uma transfusão de sangue, sempre que possível, o teste deveria ser realizado antes da transfusão, mesmo que ainda não tenham passado as 48 horas de vida do bebé. E o teste deveria ser repetido quando indicado, de acordo com o tipo de transfusão.

Breve descrição das doenças detetadas pelo programa

Hipotiroidismo congénito

Os bebés com esta doença não produzem hormona tiroideia suficiente. Embora inicialmente não apresentem sintomas, se não for tratada com a administração da hormona necessária, a deficiência hormonal afeta o seu desenvolvimento físico e mental, causando uma incapacidade grave.

Fenilcetonúria

É uma doença genética do metabolismo dos aminoácidos, concretamente da fenilalanina. Sem o tratamento dietético necessário, provoca um atraso mental grave e irreversível, bem como outras manifestações neurológicas.

Anemia falciforme

É uma doença genética em que se produzem, sobretudo, alterações do aparelho respiratório e digestivo. A sua deteção e tratamento precoce melhora o estado nutricional, o crescimento, a função pulmonar e a sobrevivência destes bebés.

Deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia média

É uma doença genética da oxidação dos ácidos gordos. Embora cerca de 30% dos casos detetados sejam formas assintomáticas ou benignas, há outras formas que provocam graves episódios de descompensação metabólica. A maioria antes dos 4 anos, com graves sequelas neurológicas, que podem ser evitadas com um tratamento preventivo sob a forma de medidas dietéticas.

Deficiência de 3-hidroxiacil-CoA desidrogenase de cadeia longa

É uma doença genética relacionada com a oxidação das gorduras. A deficiência desta enzima impede o processamento dos alimentos que o bebé come ou da gordura armazenada no seu corpo.

A identificação e o tratamento dietético precoces evitam a descompensação metabólica que provoca problemas cardíacos, patologia ocular, hepática, muscular e neuronal.

Acidúria glutárica tipo I

É uma doença genética do metabolismo dos aminoácidos. Estes doentes têm problemas em utilizar e eliminar as proteínas que ingerem, que, por isso, se vão acumulando no corpo e causam danos irreversíveis. Aproximadamente 90% dos doentes desenvolvem doenças neurológicas durante o período de desenvolvimento cerebral (dos 3 aos 36 meses de idade)

O diagnóstico neonatal e o tratamento dietético precoce, com uma dieta isenta de lisina e pobre em triptofano, reduzem consideravelmente as manifestações neurológicas, os problemas de alimentação, os problemas respiratórios e as convulsões.

Conclusão: tudo o que precisas de saber sobre o teste do pezinho

Sabes que na Happymami procuramos oferecer-te a melhor informação e a mais atualizada, além de que a nossa equipa de enfermeiras-parteiras terá todo o gosto em aconselhar-te, se tiveres alguma necessidade. A prevenção é o melhor para estas doenças e, com estes programas, evitam-se males maiores.

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